Quando foi a última vez que você respondeu, prontamente, a uma mensagem enviada pelo Facebook? Não tem certeza? Bom, o Facebook, em busca de um maior uso em tempo real do seu serviço, espera mudar isso.
A companhia anunciou nesta quarta-feira, 19/2, a compra do aplicativo de mensagens WhatsApp, que é usado pelos donos de smartphones como alternativa aos valores cobrados pelo envio de mensagens SMS pelas operadoras.
A rede social disse ter pago 16 bilhões de dólares, em dinheiro e ações, pela startup de apenas cinco anos de existência.
O Facebook já fornece alguns produtos para comunicação online, mas muitas pessoas não os utilizam para comunicação mais rápida, segundo o CEO da empresa, Mark Zuckerberg, afirmou durante uma conferência após o anúncio da aquisição.
Esses produtos incluem um cliente de chat no site do Facebook, assim como um aplicativo dedicado, chamado Messenger, para aparelhos móveis. Mas esses produtos, segundo Zuckerberg, são usados em sua maioria por pessoas que já são amigos no Facebook, e nem sempre em tempo real.
“Alguém manda uma mensagem para outra pessoa, e quase como um e-mail mais informal, aceita receber uma mensagem no final daquele dia”, afirmou Zuckerberg, ao falar sobre o aplicativo Messenger. Mas o WhatsApp, disse o executivo, evoluiu a partir da substituição do SMS.
“Esses são dois tipos de usos bem diferentes, e o mundo precisa de ambos”, afirmou Zuckerberg.
Ou ao menos o Facebook, evidentemente, precisa dos dois.
O WhatsApp permite que as pessoas enviem mensagens em seus aparelhos móveis de maneira parecida com que enviariam uma mensagem de texto, mas sem as taxas padrão que podem ser aplicadas ao SMS. As conversas no app podem ser feitas de maneira rápida, seja entre duas pessoas ou um pequeno grupo.
O Facebook quer que essas conversas sejam realizadas em seu ecossistema. “O WhatsApp complementa os nossos serviços, e vai adicionar muito valor novo à nossa comunidade”, afirmou o CEO da rede social. Grande parte desse valor, afirmou, virá das conversas em tempo real realizadas pelas pessoas usando o WhatsApp.
É algo que o Facebook quer mais, como parte da sua busca para ganhar ainda mais usuários no mundo e fornecer uma variedade ampla de serviços para conectá-los. Sob a tutela do Facebook, o WhatsApp poderia se encaixar tranquilamente nos planos da rede social de oferecer um número maior de aplicativos dedicados para tipos diferentes de comunicação e networking.
Ao comprar o WhatsApp, o Facebook também pode receber um grande fluxo de novos usuários, apesar de não estar claro a quantidade de overlap entre as duas empresas. O WhatsApp tem cerca de 450 milhões de usuários ativos mensais, segundo o Facebook. Já a rede social tem mais 1,2 bilhão de usuários ativos mensais.
Mas o WhatsApp está a caminho de ter 1 bilhão de usuários, segundo Zuckerberg. “Serviços que tem 1 bilhão de usuários são incrivelmente valiosos”, afirmou.
No entanto, os planos de monetização do Facebook para o serviço são mais difíceis de serem determinados. Durante a conferência desta quarta-feira, os CEOs da duas empresas disseram que o foco seria em aumentar o número de usuários do WhatsApp, e que publicidade não seria a melhor maneira de fazer dinheiro com o serviço de mensagens, que atualmente possui um modelo de assinatura anual que custa um dólar a partir do segundo ano.
O diretor financeiro do Facebook, David Ebersman, afirmou que a empresa não viu nenhum problema regulatório na aquisição, e que espera fechar o negócio ainda em 2014.
Enquanto isso, apesar de as operadoras telefônicas ainda ganharem dinheiro com SMS e ligações tradicionais de voz, esses serviços tem um papel que está diminuindo à medida que aparecem mais alternativas, apontam analistas.
“O cavalo já saiu do estábulo nesse assunto”, afirmou o analista da consultoria Tolaga Reserach, Phil Marshall. Algumas operadoras, incluindo as maiores dos EUA, parecem estar reconhecendo isso ao estruturar a maior parte dos seus planos com texto e voz ilimitados.
A maré provavelmente já se virou contra as operadoras telefônicas, as provedoras originais da comunicação em tempo real. Enquanto o Skype e outros serviços de voz “comeram” os minutos das ligações, plataformas baseadas na Internet como o WhatsApp pegaram a fatia das mensagens de texto.
fonte: http://idgnow.com.br/
