Facebook encara processo bilionário
Familiares das vítimas de cinco recentes ataques em Israel estão processando o Facebook em mais de US$ 1 bilhão, alegando que a rede social ajuda terroristas a planejarem ações extremistas.
A ação, entregue em tribunal de Nova York, acusa o Facebook de ajudar o grupo Hamas a recrutar membros, além de ajudar a se comunicarem e planejar ataques. O governo americano designou o Hamas como uma organização terrorista em 1995.
Os autores do processo são familiares de vítimas de cinco ataques terroristas que aconteceram nos últimos dois anos em Israel, o mais recente é o ataque do dia 8 de março em Tel Aviv que matou o cidadão americano Taylor Force, de 29 anos. Quatro das vítimas que morreram em ataques eram cidadãos americanos e outro civil foi ferido.
O processo, entregue nessa segunda-feira (11), se enquadra sob a lei anti-terrorismo de 1992, que proíbe que negócios nos Estados Unidos forneçam material de suporte a grupos designados como terroristas.
“O processo não deve ser uma surpresa para o Facebook, que oferece sua plataforma e serviços para o Hamas, seus líderes e afiliados por anos, apesar das constantes queixas e alertas”, ressaltou por e-mail o advogado israelense Nitsana Darshan-Leitner, que representa os autores da ação.
O líder do grupo Hammas “não poderia abrir uma conta em um banco americano, comprar na Amazon ou receber um celular no país”, acrescentou Darshan-Leitner. “Mas de alguma forma, o Facebook acredita que pode oferecer a ele e seus associados terroristas contas em redes sociais”.
O Facebook não comentou diretamente o processo, mas disse que não compactua e não quer mensagens violentas em seu serviço.
“Nós queremos que as pessoas se sintam seguras quando usarem o Facebook”, disse a companhia em comunicado. “Não há lugar para conteúdo que encoraje a violência, direcione ameaças, terrorismo ou discurso de ódio no Facebook”.
Usuários do Facebook que visualizarem mensagens de ódio podem reportá-las a companhia que investigará o caso e tomará uma ação, disse o Facebook.
Redes sociais se tornaram um componente “necessário” do terrorismo internacional, disse Darshan-Leitner, que já entregou uma série de processos contra companhias acusando-as de auxiliar a ação de terroristas.
O Hamas reconheceu “a tremenda utilidade e valor do Facebook como uma ferramenta para facilitar a habilidade desse grupo terrorista de se comunicar, recrutar membros, planejar e conduzir ataques e impor medo a seus inimigos”, defendeu o advogado no processo. Durante anos, o Hamas “manteve abertamente e usou contas oficiais do Facebook com pouca ou nenhuma interferência”, acrescentou.
